O ano de 2026 promete ser exaustivo. Veremos pessoas que se amam trocando ofensas e desconhecidos nutrindo ódio mútuo por conta de políticos que não lhes dedicam a mínima atenção. Estes utilizam a ferramenta democrática das eleições apenas para efetivar projetos de poder, independentemente de espectros ideológicos à esquerda ou à direita.
Consequentemente, as redes sociais se tornarão ainda mais insuportáveis. Esse cenário cobrará um preço alto de todos nós: nosso tempo e o que resta de nossa saúde mental e emocional. No final do ano passado, realizei um experimento: desinstalei as redes sociais do meu celular. Precisava interromper o ciclo de estar on-line 24 horas por dia, sete dias por semana. Para evitar os problemas interpessoais e a procrastinação consumidora, decidi pelo afastamento. Neste período de pouco mais de um mês, os resultados foram nítidos. Consegui concluir atividades essenciais, incluindo um artigo científico que estava estagnado há meses.
Reduzi o ritmo de interação com desconhecidos que, alternadamente, me elogiavam ou me desrespeitavam, para dedicar mais tempo ao que realmente importa. Nesse sentido, pretendo manter a estratégia de reduzir o uso das redes e, talvez, emular Diógenes: retirar-me para o meu "barril" (que, historicamente, era um pithos, um grande jarro de cerâmica). Essa escolha representa uma diminuição deliberada da exposição ao ruído incessante da internet.
Não se trata de uma crítica generalizada; compreendo que muitos dependem dessas plataformas para trabalhar e que a disseminação de ideias é fundamental. O próprio Diógenes percorria as ruas com uma lanterna em busca de homens honestos — uma tarefa que meu amigo Dennys Xavier executa com maestria no cenário atual. Contudo, com o passar do tempo, e neste ano faço 50 anos de idade, sinto uma identificação crescente com o clássico meme "Ciclo de Vida de um Libertário" (The Life Cycle of a Libertarian). Geralmente ilustrado com figuras do tipo "Wojak", o meme descreve três fases: o jovem entusiasta dos slogans, o acadêmico imerso em teorias densas e, finalmente, o ancião que deseja apenas ser deixado em paz.
Essa "fase final" é onde a filosofia libertária e o cinismo de Diógenes se encontram de forma mais poética. Diógenes não buscava o isolamento por ódio à humanidade, mas por um amor radical à liberdade individual e à verdade. Quando ele disse a Alexandre, o Grande, que o imperador apenas "saísse da frente do seu sol", ele estabeleceu o limite máximo da autonomia: o poder político, por maior que seja, não tem nada a oferecer que compense a perda da paz interior.
Em 2026, minha "diogenização" será esse movimento de pedir que o Estado, a militância digital e os algoritmos saiam da frente do meu sol. O humor do meme libertário, portanto, não é apenas uma piada sobre o cansaço do ativismo; é o reconhecimento de que a maior conquista intelectual e política é a capacidade de viver sem a interferência desnecessária de terceiros. No fim das contas, a lanterna de Diógenes, que buscava a honestidade no outro, acaba por iluminar o caminho de volta para nós mesmos.
Mas fiquem tranquilos: este recolhimento não significa silêncio absoluto. Estarei semanalmente aqui neste blog, bem como escrevendo e divulgando as ideias da liberdade nas plataformas do Instituto Mises Brasil. O objetivo é trocar o barulho das redes pela profundidade da produção intelectual.




