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Transportes Turísticos: Reflexões e Tendências

Economista, PhD em Transportes

Escrito por Adriano Paranaiba

Professor e pesquisador do Instituto Federal de Goiás (IFG), Vice-Presidente Acadêmico do Instituto Mises Brasil e Conselheiro do Instituto Livre Mercado. Com doutorado em Transportes, dedico-me a aplicar os princípios do livre mercado para desmistificar os gargalos logísticos e regulatórios no Brasil.

Publicado 24/09/2025

Mais um livro lançado em 2025: Transportes Turísticos (clique aqui para adquirir) é a concretização de um trabalho que se iniciou com um questionamento fundamental: como a logística brasileira afeta o potencial socioeconômico do nosso turismo?. Eu sou Adriano Paranaiba, Economista e Doutor em Transportes pela UnB, e atuo como professor no Instituto Federal de Goiás (IFG), onde leciono Economia, Empreendedorismo e, especificamente, Transportes Turísticos.

Minha jornada para escrever esta obra, a convite da Editora Freitas Bastos, foi profundamente marcada por uma experiência profissional: após uma apresentação sobre a economia goiana para executivos do Porto de Rotterdam, fui confrontado com a pergunta desconcertante: "Ok, vocês têm muitas rodovias, mas e a logística?". Esse "tiro fulminante" me impulsionou a buscar o Doutorado em Transportes, onde descobri a interdisciplinaridade crucial da combinação entre turismo, economia e transportes, buscando respostas sobre o desenvolvimento econômico do turismo, uma atividade que exige tanta infraestrutura.

O livro, dedicado aos meus filhos Caio Felipe e Marcos Paulo, busca ir além do manual tradicional. Nele, apresento não só conhecimento técnico adquirido em anos de pesquisa e docência, mas também provocações sobre o que o Brasil precisa almejar para melhorar a oferta turística e garantir grandes ganhos socioeconômicos. Minha experiência como Assessor na Câmara dos Deputados e Subsecretário de Competitividade e Melhorias Regulatórias do Ministério da Economia reforça a importância de alinhar a teoria com a prática governamental.

Estruturei a obra como um pequeno manual de consulta para estudantes e profissionais, focado em demonstrar que o transporte é a base primordial para o desenvolvimento do turismo doméstico e internacional. Começo com os Conceitos Básicos, clarificando a distinção polêmica entre modo e modal de transporte, defendendo que devemos usar "modo rodoviário". Também distingo intermodalidade (compra separada) de multimodalidade (pacote único com um Operador de Transporte Multimodal - OTM). Em seguida, percorro a história das revoluções no transporte, desde a invenção da roda e os marcos do transporte ferroviário e aéreo, até a última fronteira do Transporte Espacial.

O Capítulo 2 analisa os transportes no contexto brasileiro, abordando a influência de Barão de Mauá e a consolidação do Rodoviarismo, impulsionado pelo slogan "Governar é fazer estradas". Eu comparo o planejamento brasileiro com as estratégias de países como a Austrália, que utiliza o guia Investment Management Standard Guide (IMS Guide) e exige "Planning and Delivery" nos projetos, para extrair lições sobre regras claras e gestão de investimentos.

Detalho a relação estratégica de cada modal com o turismo. O Transporte Aéreo, crucial para a competitividade global, é analisado por meio de hubs e do modelo low cost, que ajuda na democratização do turismo. Aeroportos como Changi, em Singapura, são apresentados como verdadeiras infraestruturas turísticas. O Transporte Ferroviário tem sua relevância turística destacada em roteiros como o Trem do Corcovado, e mostro como a Lei nº 14.273/2021 pode facilitar investimentos privados. Abordo o Aquaviário, focado em cruzeiros marítimos e hidrovias (como o Rio Amazonas), crucial para o turismo náutico, e o Rodoviário, que é a espinha dorsal do turismo doméstico, mas enfrenta o desafio regulatório do conceito de circuito fechado, que dificulta a competitividade.

Dediquei atenção especial ao Planejamento e Gestão, defendendo a intermodalidade e o uso de tecnologias digitais para a criação de destinos inteligentes (smart destinations), ressaltando a importância de uma gestão integrada que considere a sustentabilidade e a Mobilidade Urbana, que é um grande desafio para as grandes metrópoles.

O livro culmina na análise das 30 Rotas Turísticas Estratégicas Prioritárias do MTur e em Estudos de Caso, contrastando projetos bem-sucedidos (como a Linha Turismo de Curitiba e o VLT do Rio de Janeiro) com aqueles que fracassaram (como o Trem Bala Rio-São Paulo e o Teleférico da Providência), oferecendo lições para o planejamento futuro.

Minha reflexão final é que o Brasil precisa enfrentar seus desafios de transporte com precisão, no sentido de exatidão. Se não iniciarmos a jornada para construir soluções logísticas efetivas, o turismo permanecerá sob a alcunha de "potencial não explorado". Espero que esta leitura inspire os futuros profissionais e pesquisadores a utilizarem o ferramental analítico aqui apresentado para transformarem o trajeto em uma vivência memorável.

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