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A Surpresa Austríaca: Minhas Impressões do Maior Congresso de Administração do Brasil

Economista, PhD em Transportes

Escrito por Adriano Paranaiba

Professor e pesquisador do Instituto Federal de Goiás (IFG), Vice-Presidente Acadêmico do Instituto Mises Brasil e Conselheiro do Instituto Livre Mercado. Com doutorado em Transportes, dedico-me a aplicar os princípios do livre mercado para desmistificar os gargalos logísticos e regulatórios no Brasil.

Publicado 04/10/2025

Entre os dias 1º e 3 de outubro de 2025, participei do Encontro Nacional da Anpad (Associação Nacional de Pós-graduação em Administração), realizado em Aracaju, Sergipe, na Universidade Tiradentes (UNIT). No evento, tive a oportunidade de apresentar dois artigos.

Uma Surpresa Positiva para Pesquisadores da Escola Austríaca

No primeiro painel, fui surpreendido de maneira muito positiva. Os três artigos expostos utilizavam um referencial teórico 100% alinhado à Escola Austríaca. O mais notável para a teoria é que os autores não são entusiastas, muito menos defensores declarados dessa corrente de pensamento.

A teoria central era a do julgamento empreendedor, que vem sendo amplamente utilizada em congressos e periódicos acadêmicos de gestão, estratégia e empreendedorismo. Cunhada pelos professores Peter G. Klein e Nicolai G. Foss, essa abordagem teve como marco importante a publicação do livro “Organizing Entrepreneurial Judgment: A New Approach to the Firm”, de 2012.

Foi realmente gratificante ver apresentações com slides repletos de autores austríacos que estudam e desdobram a aplicação desta teoria, como Per L. Bylund e Mark D. Packard, somados a outros trabalhos dos próprios professores Klein e Foss. A teoria vem ganhando espaço e, mesmo que alguns acadêmicos demonstrem resistência inicial aos austríacos, estão começando a reconhecer o valor de nossas ideias.

Primeira Apresentação: Propriedade e a Nova Teoria dos Stakeholders

O artigo que apresentei neste painel, Ownership and The New Stakeholder Theory: Between Decentralization and Judgment, escrito em coautoria com Luan Corrêa Maia Valério e João Fernando Rossi Mazzoni — ambos professores do Instituto Mises, membros do Grupo de Pesquisa GP-GIM e doutorandos na Baylor University (TX, USA) —, causou bastante controvérsia. O trabalho faz críticas a uma abordagem que tem ganhado popularidade, a New Stakeholder Theory. Busquei amenizar na apresentação algo que o autor principal, Luan, quis deixar claro: a teoria possui falhas conceituais significativas.

Segue o resumo do artigo (em inglês):

As firms combine heterogeneous bundles of resources under conditions of uncertainty, the commitments of stakeholders who provide firm-specific investments take center stage, and so does the need to understand how the firm’s governance structure and its property rights reflect ways of incentivizing and compensating their contributions. Nonetheless, the virtues of this perspective can lead to a relative neglect of the role of concentrated residual control rights in value creation. Distributed control rights may lead to opportunistic value capture by stakeholders with heterogeneous beliefs and privileged bargaining positions, especially under changing conditions. Focusing on ownership does not mean a return to shareholder primacy in these settings. Instead, it enables a greater understanding of how entrepreneurial judgment leads to value creation and how ownership channels resources to their most valuable uses.

Segunda Apresentação: Empreendedores e Regulação

No dia seguinte, apresentei o artigo Empreendedores e Regulação: uma abordagem para além de ‘seguir’ ou ‘não seguir’, que traz um dos resultados da minha pesquisa de pós-doutorado na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Escrito em coautoria com Dimária Silva e Meirelles e Fernando Monteiro D´Andrea, o trabalho propõe uma nova perspectiva sobre a interação entre regulação e empreendedorismo, usando o estudo de caso da empresa FlixBus.

Confira o resumo:

A proposta deste artigo é apontar como a criação e os ajustes de modelos de negócios são influenciados pela regulação e pelas expectativas com relação à sua eventual mudança. Os autores acreditam que tais ajustes causam diferenciação entre empreendedores que compreendem esses desafios como uma oportunidade regulatória para (continuar a) empreender. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, apoiada na técnica de análise da narrativa, onde são analisados os dilemas do processo decisório de uma empresa internacional que tem desenvolvido seu negócio a partir de oportunidades regulatórias em distintos ambientes institucionais, para validar sua proposição. Os achados deste artigo apontam que os empreendedores não estão limitados a uma tomada de decisão discreta. Entre seguir e não seguir a regulação, existe uma ação empreendedora que se torna um grande diferencial em como empreender na regulação em relação aos demais concorrentes do mercado.

Fiquei muito contente com a receptividade do artigo pelos debatedores e professores presentes no painel, o que demonstra ser possível avançar neste tema e obter o interesse da academia.

Encerramento e Networking

Gostei muito da possibilidade de apresentar as pesquisas desenvolvidas em nosso grupo (GP-GIM) e espero participar das próximas edições. Foi excelente também reencontrar professores e amigos defensores das ideias da liberdade, como Antony P. Mueller e Samuel Vaz-Curado, que residem em Aracaju, e o professor Mário Marques, que também apresentou um artigo e ministrou um workshop sobre o uso de Inteligência Artificial na produção científica.

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